Palavra do Reitor
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          A história dos beneditinos no Rio de Janeiro se confunde com a própria história da cidade. E não só por terem chegado a ela poucos anos após a sua fundação, nem apenas por uma rica influência espiritual, mas também por uma viva presença educacional. Se uma escola formal, o atual Colégio de São Bento, só foi fundado em 1858, já no início do século XVII, há menção de um serviço educativo. Em 1678, o governador da cidade, Matias da Cunha, informa o rei de Portugal que "os filhos dos moradores da cidade, que querem, aprendem com os religiosos de S. Bento". Antes disso, porém, em 1610, os beneditinos já davam aulas para os moradores dos arredores do Mosteiro.
          Se quiséssemos ir mais longe, poderíamos mencionar a primeira vinda de beneditinos, os franceses, trazidos por Villegaignon, que, conforme Anchieta em suas Carta Jesuíticas (III, p. 313), aqui instituíram a primeira escola de que se tem notícia, com o objetivo expresso de ensinar as crianças do índios Tamoios. Essa escola, como a permanência dos beneditinos franceses no Brasil, teve curta duração.
          Pode-se, pois, dizer, sem deixar de dar o devido apreço a esses ensaios, que o Colégio de São Bento, como instituição escolar, com o intuito de servir a população da cidade, ocorreu em fevereiro de 1858. Essa Escola permanece até hoje, variando as características, mas sem interrupção. Inicialmente foi um externato, funcionando nas próprias dependências do Mosteiro. Era gratuito e assim o foi até 1914, quando a situação econômica do Mosteiro levou a ter dois tipos de escolas: a velha escola passou a receber contribuições e uma nova escola era criada para oferecer serviço gratuito. Nesse momento, ou em 1915, foi instituído o regime de internato, que foi mantido até 1922. Em 1928, passou a admitir alunos com tempo integral, semi-internato, sistema mantido até hoje.
          Em 1904, foi construído, ao lado do Mosteiro, um edifício próprio para a escola, liberando o recinto interno da clausura da vivacidade sempre meio tumultuante da criançada. Em 1928, as acomodações do Colégio se ampliavam, com três andares do Edifício da Casa Bayer (Rua D. Gerardo, 40), onde hoje funcionam a Administração do Mosteiro e a Escola Teológica.
          O atual edifício, projetado e ordenado para ser colégio, no terreno que circunda a caixa d'água, área cedida e, até então, ocupada pelo serviço de água do Estado, foi construído, na década de 1960 a 1970, e inaugurado em 1971. Vem recebendo de 1200 a 1250 alunos, sendo mais da metade em tempo integral.
          O Colégio de São Bento ministra o ensino básico e o ensino secundário, chamado 2º grau, e os seus alunos, neste ano de 1999, estão distribuídos assim: 409 no primeiro ciclo do Ensino Fundamental, 494 no segundo ciclo do Ensino Fundamental, e 278 no Ensimo Médio.
          Se quisermos resumir numa palavra o que é - ou o que pretende ser - o Colégio de São Bento, poderemos dizer que é um colégio católico. Isto é, um colégio que, embora receba alunos de outras confissões religiosas, tem como objetivo ajudar as famílias católicas na educação de seus filhos, ministrando um ensino impregnado da meta que é a formação católica.
          A sua filosofia educacional, portanto, se define por alguns princípios: O homem é criatura de Deus, objeto do Amor e da Providência de Deus, e destinado a ir além de si mesmo, pela participação na vida divina. O homem é um ser perfectível e educável. É naturalmente ordenado à vida em sociedade - ser comunicativo, criado à imagem de Deus - mas cada pessoa humana tem uma vida própria, que não permite ser reduzida a mero número ou a simples meio a serviço da sociedade. A educação, expressão da vida social e comunicativa do homem, é, no seu cerne, um processo interior e pessoal em busca da plenitude humana. O processo educacional é inseparável da formação religiosa, devendo ser firmado no ensino religioso, explícito, programado, ordenado.
          Esse trabalho educacional, que pode ser definido como a ajuda do mais velho ao mais moço para que com maior facilidade e segurança chegue à sua plenitude humana, não deixa, contudo, de ser obtido ou, ao menos, complementado, pela vida associativa dos alunos e pelos seus ensaios jornalísticos. Na história do Colégio, além de agrupamentos mais ou menos fugazes ou de objetivo limitado a uma promoção, como a Associação Atlética S. Bento, fundada em 1921, merecem destaque especial, na área jornalística, o periódico A ALVORADA, fundado em 1918, que, com altos e baixos, foi mantido até os anos 60, o "Avante", órgão de Academia Literária, dos anos 50 e 60, o Jornal do S. Bento, órgão do Grêmio, "O Leão" e outros; e, na linha associativa, o Grêmio Literário S. Bento, solenemente inaugurado em 11 de junho de 1920, a Academia Literária, acima assinalada, e a Juventude Estudantil Católica.
          O Grêmio, que era justamente adjetivado como literário e histórico, perdeu muito desse caráter, assumindo uma feição meio política, de representação da classe estudantil. Nesse sentido, está presente, até hoje, no Colégio de S. Bento.
 
 
D. Lourenço de Almeida Prado, OSB
Reitor Emérito do Colégio de São Bento